O que mudou na regulamentação de Drones e FPV no Brasil: impacto nos eventos

Guia completo sobre as novas regras da ANAC, DECEA e ANATEL para operação segura e legal em produções audiovisuais e eventos

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A revolução dos drones e aeronaves FPV (First Person View) transformou radicalmente as produções audiovisuais e a cobertura de eventos no Brasil. O que antes exigia gruas, jibs e equipamentos pesados agora pode ser capturado com agilidade, criatividade e perspectivas antes impossíveis. No entanto, essa democratização do acesso veio acompanhada de um complexo emaranhado regulatório que evolui constantemente.

Nos últimos anos, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) publicaram uma série de normativas que redefiniram completamente as regras do jogo. Para produtoras, agências e organizadores de eventos, entender essas mudanças não é apenas uma questão de compliance – é uma necessidade estratégica para evitar multas pesadas, interrupções de operação e, principalmente, garantir a segurança de todos os envolvidos.

O Grupo Mais, com sua vasta experiência em cobertura de eventos e produções audiovisuais que utilizam drones e FPV, preparou este guia completo para ajudar profissionais do setor a navegar pelo novo cenário regulatório brasileiro.

O Marco Regulatório Atual: ANAC, DECEA e ANATEL

A Portaria ANAC nº 2.687/2023

A Portaria ANAC nº 2.687, de 27 de julho de 2023, representa a consolidação das regras para operação de aeronaves remotamente pilotadas (RPA) no Brasil. Essa normativa unificou e atualizou regulamentos anteriores, trazendo maior clareza e segurança jurídica para operadores.

Principais mudanças introduzidas:

  1. Redefinição das categorias de risco — baseadas no peso da aeronave
  2. Simplificação dos requisitos — para operações na categoria aberta
  3. Estabelecimento de requisitos específicos — para operações especiais
  4. Definição clara das responsabilidades — do operador remoto

O RBAC-E 94 do DECEA

O Regulamento Brasileiro de Aviação Civil Especial – RBAC-E 94, emitido pelo DECEA, estabelece os requisitos para operação de drones no espaço aéreo brasileiro. Essa normativa é complementar à regulamentação da ANAC e foca especificamente nos aspectos de controle do espaço aéreo.

Aspectos críticos do RBAC-E 94:

  1. Classificação das áreas de operação
  2. Requisitos para autorização de voo — em áreas controladas
  3. Procedimentos para comunicação — com órgãos de controle aéreo
  4. Restrições específicas — para operação próximo a aeroportos

A Resolução ANATEL nº 740/2021

Para operações FPV, a Resolução ANATEL nº 740/2021 é particularmente relevante, pois regulamenta o uso de frequências de radiofrequência para sistemas de transmissão de vídeo. Essa resolução estabelece:

  • Faixas de frequência permitidas para transmissão de vídeo
  • Limites de potência de transmissão
  • Requisitos de homologação de equipamentos
  • Restrições para operação em determinadas áreas

Categorias de Operação: Entendendo as Novas Classificações

Categoria Aberta

A categoria aberta contempla operações de baixo risco, sujeitas a requisitos simplificados. Para se enquadrar nessa categoria, a operação deve:

  • Envolver aeronaves com peso máximo de decolagem de até 25 kg
  • Manter voo visual direto (VLOS)
  • Voar até altura máxima de 120 metros
  • Manter distância segura de pessoas não participantes
  • Não sobrevoar aglomerações de pessoas

Exemplo prático: A cobertura de um evento corporativo ao ar livre, com área isolada e plateia concentrada em determinados setores, pode se enquadrar na categoria aberta se todas as condições de segurança forem observadas.

Categoria Específica

Operações que não se enquadram na categoria aberta, mas também não apresentam risco suficiente para exigir certificação completa, podem ser realizadas na categoria específica. Essa categoria requer:

  • Análise de risco específica da operação
  • Declaração de conformidade operacional
  • Autorização prévia da ANAC para determinados cenários
  • Plano de operação detalhado

Categoria Certificada

Operações de alto risco, como transporte de carga perigosa ou voos sobre grandes aglomerações, exigem certificação completa, similar à aviação tripulada.

Requisitos para Operadores: Habilitação e Treinamento

Curso Teórico Obrigatório

Todo operador de drone para fins comerciais deve realizar curso teórico em organização autorizada pela ANAC. O conteúdo mínimo inclui:

  • Regulamentação da aviação civil
  • Conhecimentos aeronáuticos
  • Meteorologia
  • Segurança de voo
  • Fatores humanos

Exame de Proficiência

Após a conclusão do curso teórico, o operador deve ser aprovado em exame de proficiência aplicado por entidade autorizada.

Registro no SARPAS

O Sistema de Autorização de Voos para Aeronaves não Tripuladas (SARPAS) do DECEA é obrigatório para solicitação de autorização de voo em áreas controladas ou restritas.

Impacto Prático na Cobertura de Eventos

Pré-produção e Planejamento

As novas regulamentações aumentaram significativamente a necessidade de planejamento antecipado. Para eventos com uso de drones, recomenda-se:

  • Iniciar os trâmites com pelo menos 15 dias de antecedência
  • Mapear todas as áreas de restrição de voo no local do evento
  • Identificar possíveis conflitos com o espaço aéreo controlado
  • Preparar planos de contingência para condições meteorológicas

Custos Operacionais

A nova regulamentação impactou diretamente os custos de operação:

  • Custos com cursos e certificações da equipe
  • Despesas com seguros específicos para operação de drones
  • Investimento em equipamentos homologados
  • Custos administrativos para obtenção de autorizações

Exemplo de Caso: Cobertura de Evento Esportivo

Para a cobertura de um evento esportivo em estádio próximo a aeroporto, o Grupo Mais desenvolve um protocolo específico que inclui:

  • Solicitação de autorização no SARPAS com 30 dias de antecedência
  • Coordenação com a torre de controle do aeroporto vizinho
  • Estabelecimento de zona de exclusão aérea temporária
  • Plano de comunicação de emergência com órgãos de controle

Segurança e Responsabilidade Civil

Seguro Obrigatório

A nova regulamentação tornou obrigatória a contratação de seguro RCVA (Risco de Voo de Aeronave) para todas as operações comerciais. Os valores de cobertura variam conforme:

  • Peso da aeronave
  • Tipo de operação
  • Área de sobrevoo
  • Valor dos equipamentos transportados

Responsabilidade do Operador

O operador é civil e criminalmente responsável por:

  • Danos a pessoas e propriedades
  • Violação de privacidade
  • Interferência em operações aéreas regulares
  • Descumprimento de regulamentações específicas

Tecnologias Emergentes e Regulamentação

Beyond Visual Line of Sight (BVLOS)

Operações Beyond Visual Line of Sight (BVLOS) representam a próxima fronteira regulatória. Atualmente, essas operações requerem:

  • Autorização específica da ANAC
  • Sistema de detect and avoid
  • Redundância de sistemas de comunicação
  • Análise de risco detalhada

Operações Noturnas

As operações noturnas foram liberadas mediante atendimento a requisitos específicos:

  • Sistema de iluminação anticolisão
  • Treinamento específico para operação noturna
  • Equipamentos com performance comprovada em condições noturnas

Cenários Práticos Comuns em Eventos

Eventos em Áreas Urbanas

Operações em áreas urbanas apresentam desafios específicos:

  • Restrições de proximidade com edificações
  • Limitações de sobrevoo sobre vias públicas
  • Considerações de privacidade
  • Interferência de redes Wi-Fi e outras transmissões

Eventos em Áreas Remotas

Áreas remotas oferecem mais liberdade operacional, mas apresentam outros desafios:

  • Limitações de conectividade para transmissão de dados
  • Dificuldades de acesso para equipe de apoio
  • Desafios logísticos para transporte de equipamentos
  • Condições meteorológicas imprevisíveis

Tendências e Futuro da Regulamentação

Integração com Espaço Aéreo Convencional

O futuro aponta para maior integração entre drones e aviação convencional, com o desenvolvimento de:

  • Sistemas de gerenciamento de tráfego aéreo para drones
  • Corredores aéreos específicos para operações de baixa altitude
  • Padrões de comunicação unificados

Autonomia e IA

O aumento da autonomia e o uso de inteligência artificial trazem novos desafios regulatórios:

  • Definição de responsabilidade em operações autônomas
  • Requisitos de segurança para sistemas de tomada de decisão
  • Padrões de certificação para software aeronáutico

Conclusão

As mudanças na regulamentação brasileira de drones e FPV representam um amadurecimento necessário do setor, trazendo maior segurança jurídica e operacional para todos os envolvidos. Para produtoras e organizadores de eventos, entender e estar em compliance com essas normativas não é apenas uma obrigação legal – é um diferencial competitivo que demonstra profissionalismo e compromisso com a segurança.

O investimento em capacitação da equipe, equipamentos adequados e processos robustos de planejamento se traduz em operações mais seguras, eficientes e com resultados superiores. No Grupo Mais, acreditamos que a inovação tecnológica deve andar de mãos dadas com a responsabilidade operacional, criando assim um ecossistema sustentável para o crescimento do setor audiovisual brasileiro.

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FAQ

O que mudou na regulamentação de drones no Brasil em 2023?

A Portaria ANAC nº 2.687/2023 unificou as regras para operação de drones, redefinindo categorias de risco baseadas no peso da aeronave, simplificando requisitos para operações de baixo risco e estabelecendo responsabilidades claras para os operadores, trazendo maior segurança jurídica ao setor.

Quais são as categorias de operação de drones segundo a ANAC?

A ANAC define três categorias: Aberta (operações de baixo risco, até 25 kg, 120 m de altura, VLOS), Específica (requer análise de risco e autorização prévia) e Certificada (operações de alto risco, similar à aviação tripulada), cada uma com requisitos específicos de segurança.

É necessário curso para operar drone profissionalmente?

Sim, operadores comerciais devem realizar curso teórico em organização autorizada pela ANAC, com conteúdo que inclui regulamentação, conhecimentos aeronáuticos, meteorologia e segurança de voo, além de aprovação em exame de proficiência para habilitação.

O que é o SARPAS e quando é obrigatório?

O SARPAS é o Sistema de Autorização de Voos para Aeronaves não Tripuladas do DECEA. É obrigatório para solicitação de autorização de voo em áreas controladas ou restritas, sendo essencial para operações próximas a aeroportos ou em espaço aéreo controlado.

Quais as regras da ANATEL para drones FPV?

A Resolução ANATEL nº 740/2021 regulamenta o uso de frequências para transmissão de vídeo em FPV, estabelecendo faixas permitidas, limites de potência, requisitos de homologação de equipamentos e restrições para operação em determinadas áreas geográficas.

Como as novas regras impactam a cobertura de eventos com drones?

As regulamentações exigem planejamento antecipado (até 30 dias para eventos próximos a aeroportos), aumento de custos com certificações, seguros específicos e equipamentos homologados, além da necessidade de mapeamento de áreas restritas e planos de contingência meteorológica.

Quanto tempo leva para obter autorização para voar drone em evento?

Recomenda-se iniciar os trâmites com pelo menos 15 dias de antecedência para operações comuns. Para eventos em áreas controladas ou próximas a aeroportos, como coberturas esportivas, o Grupo Mais solicita autorização no SARPAS com 30 dias de antecedência para garantir compliance.

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