Soluções Públicas · Apresentador virtual

Apresentador virtual de IA em telejornalismo público

Uma emissora pública pode colocar um apresentador sintético no ar sem perder credibilidade, desde que duas condições sejam cumpridas: a audiência precisa saber que é IA, e nenhuma informação pode ir ao ar sem revisão humana. A Grupo Mais opera esse formato diariamente na TV Câmara Campinas.

O problema que isso resolve

Produzir todo dia com a equipe que se tem

Uma emissora legislativa costuma ter equipe dimensionada para cobrir sessões, comissões e audiências. Manter, além disso, um boletim diário exigiria apresentador, maquiagem, estúdio ocupado e ilha de edição todos os dias, no mesmo horário.

Na prática, isso raramente cabe no orçamento de uma casa legislativa municipal. O resultado é que a maior parte delas não tem produto jornalístico diário, e a população só encontra a emissora quando há sessão no ar.

Apresentador virtual muda essa conta. A pauta continua sendo definida por gente, a revisão continua sendo humana, mas a gravação deixa de depender de estúdio e agenda de apresentador. O que era inviável diariamente passa a ser possível.

A questão que fica, e que é a mais importante, não é técnica: é editorial. Um veículo público não pode simplesmente colocar um rosto sintético no ar e deixar a audiência descobrir sozinha.

Formatos em operação

Dois programas, duas funções diferentes

Os dois estão no ar na TV Câmara Campinas e mostram que o recurso serve tanto para conteúdo curto e frequente quanto para aprofundamento.

Íria, no Central I.A

Boletim de segunda a sexta, com cerca de dez minutos, reunindo notícias da cidade, do país e do mundo, além da pauta do Legislativo municipal.

Samuel, no Genius 3.0

Programa de aprofundamento sobre tecnologia, com cerca de trinta e cinco minutos, e recorte regional forte em pesquisa e inovação.

O GC diz o que é

O gerador de caracteres identifica a apresentadora como inteligência artificial da emissora. A informação aparece na tela, não em nota de rodapé.

Produto que não falha

Boletim diário depende de constância. Sem ela, o público não cria hábito de procurar. O formato garante a entrega.

Sem ampliar a equipe

A produção diária não exige contratar apresentador nem ocupar estúdio todos os dias, o que viabiliza o produto em orçamento de casa legislativa municipal.

Mais conteúdo, mesma estrutura

A equipe de jornalismo segue cobrindo sessão e reportagem. O boletim entra como produto adicional, não como substituição.

Como aparece no ar

A identificação é parte da peça

A transparência não fica em nota de rodapé nem na descrição do vídeo. Ela aparece na tela, junto com o nome de quem apresenta.

Íria, apresentadora virtual do Central I.A, em bancada de estúdio. O gerador de caracteres na tela identifica: Íria, I.A. da TV Câmara Campinas.
Íria, no Central I.A. O gerador de caracteres informa o nome e a natureza da apresentação. Quem liga a TV no meio do programa entende em segundos o que está assistindo.
Samuel, apresentador virtual do programa Genius 3.0, em cenário de estúdio com estantes ao fundo.
Samuel, no Genius 3.0. Programa quinzenal de aprofundamento em tecnologia, com recorte regional em pesquisa e inovação.

Os dois são personagens criados para a emissora. A escolha de não reproduzir rosto nem voz de pessoa real evita qualquer confusão com profissional existente e mantém clara a natureza do formato.

Fluxo de produção

Onde entra a máquina e onde entra a gente

A ordem das etapas é o que define se o resultado é jornalismo ou geração automática de texto.

  1. A pauta é definida por pessoasA equipe seleciona os assuntos do dia e reúne o material de base. A IA não escolhe o que é notícia, nem sai buscando informação por conta própria.
  2. A redação parte do material fornecidoO texto é redigido a partir do que a equipe entregou, no formato e no tom do programa. É redação assistida, não apuração automatizada.
  3. A revisão humana é obrigatóriaNenhuma edição vai ao ar sem que uma pessoa leia o roteiro inteiro. Essa etapa não é pulada quando o prazo aperta, porque é ela que sustenta a credibilidade do produto.
  4. Dado e nome próprio são conferidosNúmero, cargo, data e grafia de nome passam por verificação. É onde geração automática de texto costuma errar, e é justamente o tipo de erro que o público percebe.
  5. A apresentação é gerada depois do texto aprovadoO vídeo só é produzido quando o roteiro já passou pela revisão. Não existe correção depois de publicado como método.
  6. A identificação acompanha a peçaA identificação de que se trata de apresentação por inteligência artificial aparece na tela e permanece na descrição do conteúdo.

Limites

O que esse formato não faz

Não apura

Apuração é trabalho de jornalista: procurar fonte, checar versão, cobrar resposta. O apresentador virtual entrega o que foi apurado, nunca substitui quem apurou.

Não entrevista

Entrevista exige escuta, pergunta de acompanhamento e avaliação do que está sendo dito. Continua sendo feita por pessoas, em outros formatos da grade.

Não vai ao ao vivo

Cobertura ao vivo de sessão e evento segue com equipe humana. O formato serve a conteúdo gravado e revisado.

Não imita pessoa real

Íria e Samuel são personagens identificados como sintéticos. Reproduzir rosto ou voz de pessoa existente é outra coisa, e não é o que se faz aqui.

Não opina

O formato informa. Análise e opinião pertencem a programas com responsável identificado, que responde pelo que disse.

Não dispensa a equipe

A redação continua existindo e trabalhando. O recurso amplia o que a mesma equipe consegue entregar.

Experiência prática

Formato aplicado em operação real

Os dois programas estão no ar na TV Câmara Campinas, emissora que a Grupo Mais opera de forma contínua desde maio de 2019. O boletim diário acumula mais de duzentas edições publicadas.

O que sustenta o formato não é a tecnologia de geração de vídeo, que hoje está disponível para qualquer um. É a estrutura editorial em volta dela: uma equipe de jornalismo que define a pauta, um processo de revisão que não é dispensado quando o prazo aperta e a decisão de identificar na tela a natureza da apresentação.

Sem essas três coisas, o resultado é geração automática de conteúdo com rosto humano. Com elas, é um produto jornalístico que amplia o alcance da emissora sem comprometer o que ela promete ao público.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

Colocar apresentador de IA no ar não compromete a credibilidade?

Compromete quando a audiência não sabe. A regra que sustenta o formato é a transparência: a identificação de que se trata de inteligência artificial aparece na tela durante a apresentação. Somada à revisão humana obrigatória de todo roteiro, ela mantém o compromisso editorial que se espera de um veículo público.

Quem escreve o que o apresentador virtual fala?

A pauta é definida pela equipe, que reúne o material de base. A partir desse material, o texto é redigido no formato do programa e passa por revisão humana antes de virar vídeo. A inteligência artificial não escolhe o que é notícia nem apura informação por conta própria.

O que acontece se a IA errar uma informação?

A revisão humana existe justamente para interceptar isso antes da publicação. Número, cargo, data e grafia de nome são conferidos, porque são os pontos onde geração automática de texto mais falha. Quando um erro escapa e é identificado depois, vale o mesmo procedimento de correção aplicado a qualquer conteúdo jornalístico da emissora.

Esse recurso substitui a equipe de jornalismo?

Não. A equipe continua definindo pauta, apurando, revisando, entrevistando e cobrindo ao vivo. O apresentador virtual viabiliza um produto diário que dificilmente caberia na rotina de estúdio de uma casa legislativa municipal, sem retirar nenhuma dessas funções.

Qualquer câmara municipal pode ter um formato assim?

Pode, e o custo de operação é bem menor que o de um telejornal diário convencional, porque não exige apresentador contratado nem estúdio ocupado todos os dias. O que não pode faltar é a estrutura editorial: sem alguém definindo pauta e revisando roteiro, o formato deixa de ser jornalismo.

Como é definida a aparência do apresentador?

Íria e Samuel são personagens criados para a emissora, identificados como sintéticos. A escolha deliberada é não reproduzir rosto nem voz de pessoa real, o que evita confusão com profissional existente e mantém clara a natureza do formato.

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