Compliance e Licitação

Plano de Gerenciamento de Riscos na Lei 14.133/21 — art. 22 aplicado a contrato audiovisual

Matriz de Riscos (MR), taxa de risco precificada, alocação contratante/contratado, IN SEGES 1/2024

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Plano de Gerenciamento de Riscos na Lei 14.133/21 — art. 22 aplicado a contrato audiovisual

Plano de Gerenciamento de Riscos (PGR) é instrumento obrigatório da Lei 14.133/21 — documento que identifica, analisa, avalia, mitiga, monitora riscos da contratação. Diferentemente da Lei 8.666/93 (sem PGR obrigatório), a nova Lei estabeleceu PGR como etapa essencial da fase preparatória.

Em contrato audiovisual público, PGR tem aplicação específica — riscos técnicos (falha de equipamento broadcast), operacionais (sessão legislativa sem cobertura), jurídicos (cessão de direitos), financeiros (descumprimento de cronograma físico-financeiro), reputacionais (qualidade de material).

Disclaimer: referência técnica baseada em Lei 14.133/21 + IN SEGES 1/2024 (regulamentação federal). Validação jurídica obrigatória conforme art. 53.

O que diz a Lei 14.133/21

Art. 22 estabelece o regime de PGR:

"O edital poderá contemplar matriz de alocação de riscos entre o contratante e o contratado, hipótese em que o cálculo do valor estimado da contratação poderá considerar taxa de risco compatível com o objeto da licitação e com os riscos atribuídos ao contratado, de acordo com metodologia predefinida pelo ente federativo."

IN SEGES 1/2024 detalha:

  • Matriz de Riscos (MR) é parte integrante do edital
  • Identificação + análise + avaliação + mitigação rastreáveis
  • Taxa de risco incluída na composição do preço

Pontos-chave:

  1. Matriz de Riscos (MR) — documento estruturado
  2. Alocação entre contratante + contratado — quem absorve cada risco
  3. Taxa de risco no preço — risco precificado
  4. Metodologia predefinida — não-arbitrário
  5. Edital reflete a MR — transparência institucional

Categorias de riscos em contrato audiovisual público

1. Riscos técnicos

  • Falha de equipamento broadcast (câmera, switcher, encoder)
  • Falha de internet / transmissão (queda durante sessão)
  • Falha de sistema de áudio (microfones, mesa)
  • Falha de iluminação (LED panels quebrados)
  • Incompatibilidade técnica com sistemas legados

2. Riscos operacionais

  • Ausência de equipe técnica (operador faltando)
  • Atraso em entrega de material (peças audiovisuais avulsas)
  • Captação inadequada (qualidade abaixo do contratado)
  • Interrupção de transmissão (sessão crítica perdida)

3. Riscos jurídicos

  • Cessão de direitos não-clara (uso futuro questionado)
  • Cessão de imagem de servidores (LGPD)
  • Cessão de imagem de terceiros (cidadão em audiência pública)
  • Direitos autorais de trilha sonora

4. Riscos financeiros

  • Descumprimento de cronograma físico-financeiro
  • Aumento de custo (inflação, câmbio em equipamento importado)
  • Glosa de pagamento por descumprimento de SLA
  • Multa contratual por atraso

5. Riscos reputacionais

  • Qualidade de material abaixo do esperado
  • Vazamento de informação confidencial
  • Inconsistência visual / identidade institucional
  • Reclamação pública sobre cobertura

Matriz de Riscos — modelo prático em contrato audiovisual

# Risco Probabilidade Impacto Alocação Mitigação
1 Falha de câmera durante sessão Baixa Alto Contratado Redundância (câmera spare)
2 Queda de internet em transmissão Média Alto Contratado Bonding 4G/5G
3 Atraso em entrega de peça avulsa Baixa Médio Contratado Penalidade contratual
4 Falha de fornecedor de energia Baixa Alto Contratante Backup elétrico (no-break + gerador)
5 Mudança regulatória (nova NR) Baixa Médio Contratante Reequilíbrio econômico-financeiro
6 Vazamento de material confidencial Baixa Crítico Contratado NDA + segurança digital
7 Inflação acima de 8% ao ano Média Médio Compartilhada Reajuste contratual indexado
8 Greve / paralisação Baixa Médio Contratante Suspensão temporária

Taxa de risco precificada

Como funciona:

Risco com alta probabilidade × alto impacto = custo de mitigação alto.

Exemplo prático:

  • Contrato base: R$ 1M/ano
  • Taxa de risco identificada na MR: 8% sobre o valor base
  • Valor total contratado: R$ 1,08M/ano (R$ 80k em taxa de risco)

Taxa de risco é precificada explicitamente no edital. Sem isso, contratado absorve risco sem compensação — afeta qualidade da proposta.

Workflow de elaboração da MR

Fase 1 — Identificação de riscos

Workshop com Comissão de Contratação + Comissão Técnica + Jurídico. Lista de riscos do contrato.

Fase 2 — Análise de probabilidade + impacto

Cada risco recebe pontuação (Baixa / Média / Alta probabilidade × Baixo / Médio / Alto impacto).

Fase 3 — Avaliação de criticidade

Matriz 3x3 (probabilidade × impacto) gera score de criticidade.

Fase 4 — Mitigação

Pra cada risco crítico, ação de mitigação documentada.

Fase 5 — Alocação

Risco alocado a contratante (Administração) ou contratado (fornecedor) ou compartilhado.

Fase 6 — Precificação

Risco alocado a contratado é precificado em taxa de risco no preço.

5 erros frequentes em PGR audiovisual

1. PGR copiado de outro setor PGR de obra civil aplicado em contrato audiovisual sem adaptação. Riscos setoriais específicos ignorados.

2. Riscos não-priorizados (sem matriz crítica) Lista plana de 30+ riscos sem priorização. Mitigação não-focada.

3. Taxa de risco sem fundamentação "5% de risco" sem cálculo técnico. Vulnerável a impugnação.

4. Mitigações genéricas sem responsável "Manter backup" sem definir quem mantém + monitora. Mitigação inefetiva.

5. PGR não-atualizado durante contrato PGR elaborado no início + esquecido. Riscos evoluem (novas tecnologias, mudanças regulatórias).

Como o Grupo Mais opera PGR audiovisual

Análise prévia da Matriz de Riscos do edital Equipe técnica analisa MR antes de participar. Riscos viáveis vs inviáveis identificados.

Proposta com mitigações documentadas Cada risco crítico tem mitigação proposta. Material auditável.

Capacidade técnica pra mitigação real Parque permanente (câmeras spare, bonding 4G/5G, backup elétrico) suporta mitigações documentadas.

Comunicação com fiscal técnico durante contrato Monitoramento contínuo de riscos. Comunicação proativa em caso de evento.

Atualização periódica da MR (em contrato continuado) Reavaliação anual de riscos. PGR vivo, não-estático.

Pra estruturação de Matriz de Riscos em contrato audiovisual público sob Lei 14.133/21 (art. 22), fale com a equipe técnica do Grupo Mais:

Operamos desde 2006 com CNAEs audiovisuais ativos (5911-1/02, 5911-1/99, 6010-1/00).

FAQ

MR é obrigatória em todo contrato?

Não. Art. 22 estabelece que "edital poderá contemplar" — facultativo. Mas em contrato relevante (R$ 500k+), MR é boa prática.

Quem elabora a MR?

Administração elabora. Comissão de Contratação + Comissão Técnica + Jurídico contribuem.

Taxa de risco impacta preço final?

Sim. Risco alocado a contratado é precificado. Sem isso, contratado absorve sem compensação.

Posso impugnar MR mal-elaborada?

Pode. MR é parte do edital. Impugnação por matriz inadequada cabe se há fundamentação técnica.

MR atualiza durante contrato?

Em contrato continuado, sim. Reavaliação anual ou em evento extraordinário (mudança regulatória, crise, novo risco).

Risco compartilhado é comum?

Sim. Inflação alta, mudança regulatória, eventos extraordinários frequentemente são compartilhados.

Reequilíbrio econômico-financeiro relaciona com MR?

Sim. Risco previsto em MR não dá direito a reequilíbrio. Risco não-previsto + impacto significativo justifica reequilíbrio (art. 124 da Lei 14.133).

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